Família Frascati: 5 manuais essenciais sobre metodologias e coleta de dados e indicadores estatísticos em Ciência, Tecnologia e Inovação

Continuando a série Os Principais Manuais de PD&I Que Você Precisa Conhecer, falaremos hoje sobre os documentos publicados pela OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico) e comumente conhecidos como Família Frascati – em alusão ao primeiro e mais famoso de seus cinco manuais.

A OCDE é uma organização composta por 34 países que possuem como característica comum a democracia e o apoio à livre economia de mercado. Seu principal intuito é permitir que os países membros possam discutir, comparar e coordenar problemas e políticas em comum que visam o desenvolvimento científico e econômico. Dentre a lista de signatários estão França, Itália, EUA, Portugal, Reino Unido, México e Chile. O Brasil não é signatário, porém, atua de maneira bastante próxima à organização.

Uma das contribuições mais importantes da OCDE para esta interação científico-diplomática é uma série de manuais que, apesar de publicados ao longo dos anos, possuem objetivo similares: definir a teoria, criar metodologias e parametrizar a coleta de dados estatísticos em atividades de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação nos países integrantes.

Manual de Frascati: Pesquisa e Desenvolvimento

20140224_frascati_v1O documento propõe uma “metodologia para levantamentos sobre pesquisa e desenvolvimento experimental“. Em outras palavras, define o que é Pesquisa Científica e a parametriza entre os países membros da organização com o intuito de propor boas práticas para a coleta e análise de dados estatísticos em projetos de P&D. O manual é bibliografia básica, pois, além de clarificar a teoria, é utilizado como referência na criação de leis e incentivos governamentais mundo afora, como no caso da Lei do Bem aqui no Brasil.

» Data de publicação original: 1963
» Download: PDF da 6ª edição em português (2002).

Manual de Oslo: Inovação

20140224_osloComumente conhecido como Manual da Inovação, apresenta diretrizes para a coleta e a interpretação de dados relacionados à inovações tecnológicas. Ou seja, uma baita mão-na-roda para você aprender a falar a linguagem que dita a medição dos resultados de inovação mundo afora. Se você está, p.ex., gerenciando os custos de um projeto de Inovação, vale ao menos a leitura do capítulo 6, item 2.5. que aborda o limite entre as atividades de inovação baseadas e não-baseadas na P&D (página 111).

» Data de publicação original: 1990
» Download: PDF da 3ª edição em português (2005).

Manual de Balanço de Pagamentos Tecnológicos

20140224_tpbEste terceiro manual publicado pela OCDE propõe um método padrão para a coleta e interpretação de dados sobre o balanço de pagamentos tecnológicos de um país. Mas o que exatamente é este balanço? De acordo com um artigo do economista João Furtado publicado na revista USP podemos entender que:

O balanço de pagamentos tecnológicos retrata o conjunto de relações de natureza tecnológica entre uma economia e o mundo externo. Os cafés que o Brasil exporta há um século para o mundo todo possuem elementos do conhecimento que o país vem criando desde pelo menos a criação do instituto de pesquisa agrícola de Campinas; e uma parte desse conhecimento é importada – nas revistas de botânica e fisiologia vegetal, nas bolsas dos estudantes que foram ao mundo aprender coisas novas, nos cientistas que o Brasil atraiu de vários países, nos equipamentos e insumos de pesquisa que importamos de tantos lugares, nas visitas técnicas, congressos e missões internacionais que realizamos. (…) O balanço de pagamentos tecnológico ajuda a compreender esses fluxos, que envolvem defasagens intrínsecas e efeitos amplificados“. [1]

Ou seja, o balanço de pagamentos tecnológicos calcula tudo que um país importa e exporta de tecnologias, dado que é praticamente impossível para uma nação ser auto suficiente em todos os campos do conhecimento.

» Data de publicação original: 1990
» Download: PDF da 1ª Edição em inglês (1990).

Manual de Patentes

20140224_patentesCom o objetivo de prover uma metodologia para a medição de dados relacionados à patentes em ciência e tecnologia e a construção de indicadores referentes às atividades tecnológicas, o quarto manual da OCDE talvez seja o que menos poderá auxiliar uma empresa na criação de um sistema de indicadores de inovação, uma vez que sua aplicação faz mais sentido quando aplicada à um cenário de escala nacional.

Por outro lado, a leitura dos capítulos 2 e 3 que versam aspectos importantes do sistema de patentes (fundações legais, sistemas, procedimentos etc.) serve como um bom material de referência para quem está começando na área. Ou você pode ler este post sobre patentes de invenção no Brasil.

» Data de publicação original: 1994
» Download: PDF da 2ª edição em inglês (2009).

Manual de Canberra: Recursos Humanos

20140224_canberraO mais recente dos manuais aqui apresentados trata do tema mais complexo e mais valioso de todos os aqui apresentados: pessoas. Desenvolvido pela OCDE em parceria com a DGXII e a Eurostat, o documento tem o intuito de estabelecer diretrizes para a medição e análise dos recursos humano dedicado à Ciência e Tecnologia.

Apesar do foco em dados nacionais, a leitura deste guia provoca boas reflexões sobre como estruturamos nossas equipes de PD&I e, até mesmo, sobre como anda nosso preparo científico. Afinal, se seguirmos os critérios estabelecidos neste manual, você acredita que seria considerado cientista, técnico ou auxiliar em sua área de atuação? Se ficou curioso, descubra a resposta lendo os itens 3.1 e 3.2 do capítulo 3. 😉

» Data de publicação original: 1995
» Download: PDF da 1ª edição em inglês (1995).

Continua…

No próximo artigo da série, falaremos dos manuais publicados pela RICYT. Até lá!

AuthorAndré Oliveira

Um apaixonado pela geração e aplicação de ideias que melhorem nossa qualidade de vida. Bacharel em Tecnologia pela PUC. Pós-graduado em Marketing pela ESPM e em Gestão da Inovação pela USP. MBA Executivo em Gestão Estratégica e Econômica de Negócios pela FGV.